quarta-feira, 18 de maio de 2016

III Festival LEM Gastronomia com data marcada

"A gastronomia pode ser a ponta do iceberg, porque se constitui num elemento de identidade e pertencimento, que de certa forma por seus gostos e sabores, favorece a identificação, pois ela é reveladora, expõe as crenças, valores, costumes, topografia, clima, relevo, gostos, agricultura, pecuária, a verdadeira essência do povo ao qual pertence." (CORNER, 2011)

Nos achados de minhas pesquisas, creio que essa é das frases que melhor expressa a proposta que tenho buscado trazer através de meu trabalho. E se tudo isso encontra um ápice, um momento que eu possa sintetizar o sentimento de ligação entre os diversos pontos que envolvem a gastronomia, esse momento é, com toda certeza, o Festival LEM Gastronomia.

Estamos nos preparativos para a terceira edição do Festival. Serão três dias de grandes e intensas vivências. Agricultura familiar, economia solidária, pequenos produtores, cozinheiros, chefes de cozinha, todos reunidos em um só espaço, compartilhando com o público seus saberes, suas experiências.

Venha com a gente para o III FESTIVAL LEM GASTRONOMIA: “O Brasil Bem Temperado!”, de 05 a 07 de agosto de 2016.

Acompanhe as notícias no Facebook! www.fb.com/festivallemgastronomia


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Fazenda Santa Ana - Modelo de Sustentabilidade


 Saímos do centro de Itacaré, município da Costa do Cacau na Bahia, com destino ao distrito de Taboquinhas, onde chegamos depois de percorrer uma estrada bem pavimentada, e seguimos  depois por uma estrada cheia de curvas, até um ponto às margens do rio de Contas. O motorista buzina e aparece na outra margem o barqueiro que vem nos buscar para chegarmos no objetivo da nossa viagem: visitar a Fazenda Santa Ana.
Do pequeno barco, já avistamos a sede da Fazenda, a travessia é bem tranquila, apesar de termos um dos passageiros bem "intranquilo" rsrs, Mas não tem outro jeito, para chegar nesse paraíso só tem uma forma: de barco ou canoa.
Estamos cada vez mais perto, já podemos ver as flores que são uma das marcas da Fazenda que pertence ao querido amigo Edgard Morberck,  médico que se dedica ao lado da sua esposa Ana, a realizar esse projeto de vida.


A Fazenda Santa Ana é uma verdadeira fazenda modelo: administração participativa, na qual todos os trabalhadores participam mensalmente de reuniões para coletivamente decidirem as ações que serão realizadas e avaliarem os resultados dos trabalhos desenvolvidos. A Fazenda tem uma Escola para atender os filhos dos trabalhadores que e é um exemplo de qualidade de educação na região.




 O cacau produzido na Fazenda é totalmente orgânico e já foi premiado três vezes no Salão Internacional do Cacau em Paris.  Pena que no Município poucas pessoas tenham conhecimento desse trabalho de excelência realizado na Fazenda Santa Ana.








 A Fazenda Santa Ana tem parceria com a empresa belga de chocolates Callebaut para quem fornece amêndoas de cacau e é auditada por essa mesma empresa que atesta a qualidade do chocolate produzido por estes excelentes anfitriões que são Edgar e Ana. O chocolate da Santa Ana é vendido em forma de barrinhas em Portugal e na Espanha e nós tivemos o privilégio de experimentar e nos deliciar com o seu maravilhoso sabor.

 Daqui, desse paraíso de sustentabilidade, também sai uma boa quantidade de mel de cacau que abastece bares e restaurantes de Itacaré. Não tem como descrever o sabor do mel de cacau colhido na hora, sua doçura e seu frescor altamente revigorante.  As "taças" foram feitas com o maior carinho pelos trabalhadores da Fazenda, com o próprio cacau,
Na Fazenda Santa Ana nada se perde, tudo é aproveitado e reaproveitado.

 A Fazenda Santa Ana, também, recebe grupos para visita monitorada, mas tem que agendar com antecedência. Os visitantes podem percorrer a "Trilha do Cacau" onde é possível conhecer todo o processo do plantio, adubação do terreno, colheita, fermentação, processamento das amêndoas. Na "Trilha do Curral" o visitante conhece todo o processo de criação do gado leiteiro, a ordenha e os pastos....



Depois desse intenso contato com a natureza, vem uma das melhores partes da visita: uma degustação prá lá de especial, com pratos belissimamente feitos com os ingredientes produzidos na Fazenda. Tudo orgânico.  Bolo de coco e de milho; Flans e pudins de coco, cacau, cupuaçu. Doces de jambo, carambola, banana, cacau. Geléia de cacau. Água de coco, Mel de cacau. 
 

Iogurtes de coco e de milho verde; Açaí com banana e também com chocolate. Biscoitos. Pães. Queijo coalho com mel.  Chocolates.  São muitos sabores, todos especiais. Existe também a opção de almoço no qual pode ser degustado um pato à moda caipira ou com uma autêntica receita portuguesa.


 Vitor Gonçalves e o Chef Rivandro França adotaram os bezerrinhos, ou melhor: foram adotados por eles.  Foi amor ao primeiro cafuné...rsrs
Mas chegou a hora de voltar, fico sempre com aquele sentimento de querer ficar mais tempo nesse lugar especial, onde os homens, os animais, as águas, as plantas, são todos respeitados. Admiro cada vez mais esse grande homem chamado Edgar Morbeck.
Em breve estarei de volta, disso eu tenho certeza......



sábado, 12 de dezembro de 2015

Recebendo a Medalha de Ouro Soberana Ordem


Receber a Medalha de Ouro Soberana Ordem, na Câmara de Vereadores de Salvador, pelo trabalho que desenvolvo, teve um sabor especial por estar rodeada por minha família e amigos queridos, que acompanham, apoiam e incentivam nosso trabalho de pesquisa, registro e divulgação da nossa gastronomia de raiz. 
Costumo dizer que esse é um trabalho pensado, idealizado, realizado por uma família. Minha família foi quem primeiro acreditou, apoiou e quem vem construindo, num verdadeiro trabalho de formiguinha esse trabalho.
Grata a querida amiga Elíbia Portela por confiar, incentivar e apoiar nosso trabalho. Grata ami




Socorro Leão, Rosângela Gonçalves, Vicente Gonçalves, Chef  Eber Leão.
Sandra Lopes e Chef Valnei Assunção.
Sr. João Lopes, da Associação de Produtores de Café. Dra. Maira Santa Cruz, secretária de ação social de Luis Eduardo Magalhães.
Dr. Humberto Santa Cruz, Prefeito de Luis Eduardo Magalhães,
Dra. Maira Santa Cruz, primeira dama de Luis Eduardo Magalhães,
Maísa Fernandes Leite da Seplan,  Dr. Bruno Martinez.
 
Socorro Leão, vinda direto de Manaus.  Romival Santos.                             Deputada Tia Eron



 Maíra e Chef Rodrigo Castro; jornalista Gabrielle Ferreira; Chef Eber Leão.                                                                          Dra. Maria Braga.






                                  Chef Eber Leão e meu companheiro de todos momentos Jairo Santos.

Quilombo de Santo Amaro - Itacaré



Olhando as águas tranquilas do rio de Contas, contemplando a natureza para conter a expectativa de visitar o Quilombo de Santo Amaro a convite de Claudia Cruz e Etinho.


E chega o pequeno barco para nos levar nessa viagem que promete grandes
aprendizados...
E vamos nós nessas águas doces, uma família nos espera com suas histórias, seus conhecimentos. 
Chegamos, descemos do nosso barquinho e as primeiras imagens é de uma vegetação exuberante, preservada, ouvimos apenas o som das folhas balançando com o vento e os diversos cantos de passarinhos.


]
A sensação é que fomos transportados para outro tempo, uma outra época, tento imaginar como seria esse lugar quando chegaram os primeiros moradores fugindo da escravidão.  A imaginação funcionando plenamente..... 
 
No caminho encontramos d. Lourdes, tia do nosso amigo Etinho, ela nos recebe comum sorriso e um jeito bem maneiro de ser. Sinto uma sensação de acolhimento, sensação que só aumenta quando chegamos na casa da família.



 A cozinha é totalmente aberta, com fogão a lenha, em torno do qual a família se reúne para preparar as refeições. É nesse espaço que encontramos d. Júlia, a matriarca da família, em torno da qual todos vivem. Ela é uma líder da comunidade e também a líder religiosa.



 A casa da farinha, onde são produzidos além é claro da farinha de mandioca bem torrada, tapioca e beijus. Os beijus podem ser puros ou recheados com coco.




 d. Júlia e d. Lourdes nos conta do caruru que é preparado todo mês de dezembro, em um grande mutirão, homens, mulheres, crianças tem tarefa para todos. O caruru é servido na festa que vara a noite e para a qual vem pessoas de toda região.




As horas vão passando ouvindo a família nos ensinar como eram preparadas moquecas, farofas, paçoca de banana verde, aipim com favaca fina, peixe de escabeche, paçoca de aipim e de abóbora......a tarde vem chegando e sabemos que temos que voltar para casa com novos conhecimentos, novos aprendizados e o melhor de tudo conhecendo novos seres humanos que lutam para preservar suas histórias, com dignidade e respeito a seus ancestrais........


Chegamos na beira do rio na hora certa, em total sincronia com a chegada do pequeno barco e seu grande remador.....